A bilbioteca é a história viva do Livro e seus leitores

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Biblioteca do Real Gabinete Português de Leitura - RJ

domingo, 30 de setembro de 2007

Passado e Memória em Dias e Dias

Pensar a construção narrativa dos romances de Ana Miranda com um olho no passado é meio caminho para uma viagem agradável. a escritora utiliza-se com muita precisão de investigações relativas ao passado sem necessariamente mergulhar na historiografia tradicional. A desculpa para se apresentar determinada trama passa dos limites da construção narrativa para uma dimensão interdiscursiva que projeta o leitor para a própria construção da trama.
Em Dias e Dias, Ana Miranda nos leva para um espaço privilegiado, uma espécie de antesala em que a urdudura republicana parece instalar suas garras precipitando a decadência da monarquia nacional. Por trás do amor de Feliciana toda uma dedicação que vai além do compromisso das missivas e de revelações que adocicam o caminho literário pavimentado pelo romantismo heróico de um povo carente de lideranças populares...

Um comentário:

Eunice de Morais disse...

Dias e Dias é, sem dúvida, o romance de Ana Miranda que melhor entrelaça o ficcional e o histórico, justamente pela sutileza narrativa. Nele o imaginário parece abraçar o histórico de tal modo que o exílio e a saudade romântica suplantam a hipocrisia social (e mesmo a guerra). "Parada , pregada na pedra do porto" Feliciana sonha com uma ausência bem presente na história da literatura Brasileira: Gonçalves Dias.